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sábado, 29 de dezembro de 2012

Virgo ( Virgem )




Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Vir
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Virginis
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  67°N – 75°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  90
°N 67°N / 75°S 90°S
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  11 Abr


Constelação muito antiga, representa uma jovem bela e virtuosa segurando uma ( ou várias ) espiga(s) de trigo na mão esquerda. A sua localização no céu não é óbvia, devido a conter apenas uma estrela de brilho considerável, a Alfa de Virgo, de nome próprio " Spica " ou " Espiga ". No entanto, encontrada a estrela mencionada, usando-se a constelação do Leão como referência próxima, Virgem torna-se facilmente reconhecível.


Assinalando, com o seu aparecimento no céu nocturno, o início da Primavera no hemisfério Norte, algumas crenças associavam-na à agricultura e à promessa de boas colheitas. Não obstante, várias são as personagens mitológicas atribuídas a esta figura, tendo as lendas mais célebres origem na cultura greco-romana:

Para os Gregos a Virgem poderia ser Astreia ( ou Diké ), deusa da Justiça ( para os Romanos esta corresponderia à deusa Justa ou Justitia ). A lenda conta que a vizinha constelação de Libra ( Balança ) seria a balança de pratos com que Astreia media a justiça dos homens ou almas, bem como a duração do dia e da noite.

Outra lenda grega associava a Virgem a Deméter ( para os Romanos, Ceres ) - deusa da agricultura e das colheitas - ou à sua filha Perséfone ( para os Romanos, Proserpina ), raptada pelo deus do submundo dos mortos, Hades. A mitologia sobre estas personagens conta que Perséfone se recusava a comer qualquer alimento no reino de Hades, fazendo com que a união entre ambos não pudesse ser reconhecida. A sua mãe, Deméter, cuja tristeza levara a que abandonasse o seu zelo pela agricultura e boas colheitas dos seres humanos, trazendo aos campos uma época de aridez e esterilidade, suplica a Zeus ( pai de Perséfone ) que exija a Hades a devolução da sua filha e o líder dos deuses acede a este pedido. No entanto descobre-se que, durante a sua estadia no reino de Hades, Perséfone havia tomado de facto algum alimento - uma semente de romã - pelo que Zeus é forçado a aceitar um compromisso entre as partes em litígio: durante metade do ano, Perséfone viverá com os seus progenitores na forma de Coré, uma eterna adolescente, enquanto na outra metade conviverá com Hades no seu reino, na forma de uma sombria Perséfone. Este mito pretendia explicar e ilustrar a origem da evolução cíclica das estações do ano.

Uma lenda grega distinta conta que a Virgem seria Erígone, filha de Icarius - a quem Dionísio havia desvendado o segredo da produção do vinho. Quando o provaram e sentiram pela primeira vez os efeitos enebriantes desta bebida, os aldeões locais acreditaram que Icarius os tentara envenenar e mataram-no. Maera, o cão de Icarius, apressa-se então a chamar a atenção de Erígone para o homicídio do seu pai e esta, não podendo suportar tamanha tristeza, acaba por pôr termo à sua vida, enforcando-se. Os deuses, condoídos perante a tragédia, teriam colocado os intervenientes no céu, na forma das constelações de Virgem ( Erígone ), Boötes ( Icarius ) e Cão Menor ( Maera ).

Outras figuras são associadas, por lendas variadas, à constelação de Virgem:
- Tiqué, deusa grega da Fortuna ( Sorte );
- Atargatis, deusa síria da Fertilidade;
- Minerva, deusa da Sabedoria, a Atena dos Gregos;
- Diana, deusa da Caça, a Ártemis dos Gregos;
- Cibele, deusa romana da Natureza e Fertilidade;
- Urânia, a musa da Astronomia.




Objectos celestes mais notáveis:


- Aglomerado de Virgem - Virgo contém grande parte de um aglomerado de galáxias que se estende até à vizinha constelação de Coma Berenices ( Cabeleira de Berenice ) e que se denomina " Aglomerado de Virgem ". Este é o conjunto de galáxias do chamado " Superaglomerado de Virgem " ou " Superaglomerado Local " ( do qual fazem parte a Via Láctea e Andrómeda, os dois membros dominantes do " Grupo Local " ) mais próximo de nós. As interacções gravíticas tenderão a levar todas estas galáxias a encontrarem-se num " bailado " cósmico, atravessando-se umas às outras, desfazendo-se e coalescendo entre si.


- Cadeia de Markarian - do lado direito apresenta-se uma imagem anotada, de grande campo visual, onde podemos observar a área central do " Aglomerado de Virgem ". As galáxias mais brilhantes são referidas e apresentadas em maior pormenor mais abaixo, na listagem dos objectos celestes - excepto a M 91 e a M 88, por pertencerem à constelação de Coma Berenices.
Assinalada textualmente, vemos uma sequência de galáxias conhecida como " Cadeia de Markarian ", que engloba várias galáxias de brilho reduzido, apenas observáveis com telescópios de abertura superior a 200 mm, e as mais óbvias M 84 e M 86.







- M 49 - uma galáxia elíptica de Mag. 8.4 , observável com telescópios modestos.












- M 58 - uma galáxia espiral barrada de Mag. 9.7 , observável com telescópios modestos.












- M 59 + M 60 - duas galáxias elípticas que podem ser observadas em simultâneo:
- M 59 - é a galáxia maior, com uma companheira muito próxima, visível do lado esquerdo. Apresenta uma Mag. de 9.6 .
- M 60 - é a 2ª galáxia mais brilhante e extensa da imagem, visível do lado direito. Brilha com uma Mag. de 8.8 .

Ambas são observáveis com telescópios modestos.



- M 61 - uma galáxia espiral barrada de Mag. 9.6 , observável com telescópios modestos.














- M 84 + M 86 - duas galáxias elípticas que podem ser observadas em simultâneo:
- M 84 - é a 2ª galáxia mais brilhante e extensa da imagem, do lado direito. Apresenta uma Mag. de 9.1 .
- M 86 - na imagem, é a galáxia mais extensa, um pouco acima e do lado esquerdo. Brilha com uma Mag. de 8.9 .

Ambas são observáveis com telescópios modestos.











- M 87 - uma galáxia elíptica de Mag. 8.6 , também conhecida como Virgo A ( na verdade, esta designação refere-se à poderosa fonte de ondas de rádio emitida a partir do seu núcleo, a 1ª a ser detectada nesta constelação ), visível com uns binóculos ( aparência semelhante a uma estrela ).









- M 89 - uma galáxia elíptica de Mag. 9.8 , visível com telescópios modestos.











- M 90 - uma galáxia espiral de Mag. 9.5 , visível com telescópios modestos.

















- M 104 - uma galáxia espiral de Mag. 8.0 , visível com binóculos em céus muito escuros. Também é conhecida como Galáxia do Sombrero.












- NGC 4697 - uma galáxia elíptica de Mag. 9.3 , visível com telescópios modestos. Na imagem ao lado, é a galáxia mais brilhante no canto superior direito. 



















Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:



Clicar na imagem para ampliar o mapa

 Mapa com fundo branco 

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

Clicar na imagem para ampliar o mapa

A estrela mais brilhante de Virgo faz parte de um asterismo famoso:

- α (Alfa) Virginis + α (Alfa) Boötis + β (Beta) Leonis formam um desenho conhecido no hemisfério Norte como Triângulo de Primavera ( " Spring Triangle " ).
- α (Alfa) Virginis + α (Alfa) Boötis + β (Beta) Leonis + α (Alfa) Canum Venaticorum formam um desenho conhecido como Diamante de Virgem ou, no hemisfério Norte, Diamante de Primavera.


Estrelas mais notáveis:


- α (Alfa), tem o nome próprio ( do latim ) Spica ou, em português, Espiga, por assinalar a espiga ou ramo de espigas de trigo que a Virgem segura na mão esquerda. Apresenta uma Magnitude ( global ) de 1.0 e, na verdade, é um sistema múltiplo de estrelas que se gravitam mutuamente, demasiado próximas umas das outras para que se possam observar individualmente através de instrumentos ópticos.
- β (Beta), tem o nome próprio Zavijava, de uma expressão árabe que significa " o vértice " ( de um ângulo ), mas foi atribuído por erro de interpretação, pois os Árabes referiam-se, não a esta estrela, mas à γ (Gama), actualmente conhecida como " Porrima " e que assinala o eixo no desenho de um ângulo quase recto formado por δ (Delta) + γ (Gama) + η (Eta). É uma estrela amarela de Mag. 3.6 , a apenas 36 anos-luz de distância. Apesar de ser classificada como a estrela Beta da constelação, não é a 2ª mais brilhante, pertencendo esta posição à estrela Gama ( de brilho semelhante à Épsilon ).
Porrima ( Gama Virginis )
- γ (Gama), tem o nome próprio Porrima, uma das deusas romanas que acompanhavam os partos e que podiam profetizar o destino.
É uma bela dupla física ( a proximidade entre as suas constituintes é real ), cujas componentes podem ser observadas separadas uma da outra através de um telescópio modesto, composta por duas estrelas de brilho, tamanho e cor praticamente iguais.
Vistas a partir da Terra, a sua separação deixou de ser possível de se perceber com instrumentos amadores em 2005, altura em que, segundo a nossa perspectiva, ambas se sobrepuseram.
Neste momento estão a afastar-se, tornando cada vez mais óbvia a imagem de cada uma individualmente.
Porrima apresenta uma Mag. ( global ) de 2.8 e encontra-se a apenas 39 anos-luz de distância.
- δ (Delta), é por vezes conhecida como Minelauva, deturpação de uma expressão árabe que significava " o cão que ladra ", asterismo antigo composto pelas estrelas β (Beta), γ (Gama), η (Eta) e ε (Épsilon), que esta cultura identificava como formando a figura de um cão. É uma gigante vermelha de Mag. 3.4 .
- ε (Épsilon), tem o nome próprio Vindemiatrix, denominação que resulta da corrupção de uma palavra grega que significava " aquela que colhe as uvas ", pois a altura em que esta estrela começava a ser visível durante o nascer-do-Sol assinalava a época em que se deviam iniciar as vindimas. É uma gigante amarela de Mag. 2.8 .
- ζ (Zeta), é por vezes denominada Heze ( palavra de origem e significado totalmente obscuros ). É uma estrela branca de Mag. 3.4 , a 74 anos-luz. Por se encontrar praticamente em cima da linha imaginária que desenha o Equador Celeste, tal como a Eta desta constelação, ambas são usadas como referência na localização e visualização do mesmo.
- η (Eta), tem o nome próprio Zaniah, da mesma expressão árabe que originou a designação da estrela Beta da constelação e que significa " o vértice " ( de um ângulo ). Estes dois nomes próprios resultam do mesmo erro de interpretação dos textos originais árabes ( leia-se, acima, o texto relativo à estrela Beta ). Zaniah é uma múltipla física de Mag. ( global ) 3.9 , cujas componentes se apresentam demasiado próximas para que possam ser observadas individualmente através de instrumentos ópticos.
- θ (Teta), é uma dupla física, cujas componentes se encontram demasiado próximas uma da outra para que se possam observar individualmente através de instrumentos ópticos, de Mag. ( global ) 4.4 .
- ι (Iota), é por vezes conhecida como Syrma, do grego, significando " a cauda do vestido " ( da Virgem ). É uma gigante alaranjada de Mag 4.1 , a 72 anos-luz.
- μ (Miú), é por vezes conhecida como Rijl al Awwa, do árabe, significando " a pata do cão que ladra " - de um antigo asterismo em que esta cultura via a figura de um cão. É uma estrela branca de Mag. 3.9 , a 61 anos-luz.
- 109 Virginis, é uma estrela branco-azulada de Mag. 3.7 .





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