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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Perseus ( Perseu )




Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Per
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Persei
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  90°N – 31°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes: 
31°S 59°S 
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  7 Nov


Constelação bastante antiga, Perseu pretendia representar um dos mais célebres heróis mitológicos da cultura grega.
É relativamente fácil de se localizar no céu, por conter estrelas brilhantes - procure-se nas imediações das constelações mais óbvias do Cocheiro, Cassiopeia e Touro.


Segundo a lenda grega, Perseu era filho de Danae ( filha de Acrísio, rei de Argos ), fruto de mais uma das infidelidades de Zeus com uma mortal. Tendo sido previsto pelo oráculo que Acrísio seria assassinado por um neto, o rei mandou aprisionar Danae numa masmorra, para que nunca chegasse a ter filhos. Apesar disso, fascinado pela beleza daquela mulher, Zeus entra na masmorra sob a forma de uma chuva dourada e engravida Danae de Perseu. Furioso, Acrísio ordena que mãe e filho sejam colocados numa cesta posteriormente lançada ao mar. Com a ajuda de Zeus, a cesta dá à costa do reino de Polidectes e é descoberta pelo irmão deste, um pescador de nome Díctis, que adopta Perseu. O rei Polidectes acaba por cobiçar Danae mas, estando destinado a casar com outra mulher, Perseu não deixa que o rei se aproxime da sua mãe. Polidectes arranja então um esquema para afastar Perseu: convida Danae e o filho para as bodas do seu casamento mas coloca uma condição a todos os convidados - que lhe ofereçam cavalos. Como Perseu não podia satisfazer esta condição, Polidectes sugere-lhe que traga a cabeça da Górgona Medusa, ser horrendo que petrificava os homens com o seu olhar. O rei pensava que o filho de Danae nunca retornaria vivo, mas este consegue realizar a tarefa com a ajuda dos deuses: Hades, deidade do submundo, oferece a Perseu um capacete que lhe permitia tornar-se invisível; Hermes, o mensageiro dos deuses, dá-lhe umas sandálias aladas, com as quais podia voar a grande velocidade; Hefesto, deus do fogo ( Vulcano, para os Romanos ), entrega-lhe uma espada feita de diamante; Atena oferece-lhe um escudo de bronze polido, recomendando-lhe que olhasse para a Medusa através do escudo.
Equipado desta forma, Perseu consegue derrotar a Medusa e voa de volta ao casamento de Polidectes, carregando a cabeça decapitada do monstro. Ao sobrevoar a Arábia e África, gotas de sangue da Medusa caíram no solo, fazendo delas emergir serpentes. A lenda explica também a existência dos montes Atlas, em África, contando que são o próprio rei daquela área, Atlas, transformado em pedra por ter recebido com hostilidade a visita de Perseu.
Ao sobrevoar o Mediterrâneo avista Andrómeda, acorrentada a um rochedo para servir de oferenda a Cetus, a Baleia. O herói mata ( ou petrifica com a cabeça da Medusa, segundo uma variante da história ) a Baleia e salva a princesa, com quem posteriormente se casa, gerando desta união o povo Persa.
Segundo uma versão da lenda, ao retornar para junto de Danae, Perseu teria usado a cabeça da Medusa para transformar o rei Polidectes e seus seguidores em estátuas de pedra.
A profecia do oráculo que inicia a lenda acaba por ser realizada pois o herói, neto de Acrísio, durante um evento desportivo lança acidentalmente o Disco para a assistência, acertando no rei e provocando a sua morte.




Objectos celestes mais notáveis:




- M 34 - um enxame estelar aberto de Mag. 5.2 , muito interessante de se observar com binóculos e telescópios modestos.
















- M 76 - uma nebulosa planetária de Mag. 10, também conhecida como Nebulosa do Pequeno Haltere, muito difícil de se observar com telescópios modestos.










- NGC 884 + NGC 869 - também conhecido como Enxame estelar duplo h + χ ( Qui ), consiste num par de enxames estelares abertos, relativamente próximos um do outro ( a poucas centenas de anos-luz entre ambos ), sendo um dos alvos predilectos dos astrónomos amadores pela beleza e facilidade desta observação. A sua designação popular deve-se ao facto de conter a estrela Qui da constelação, bem como uma outra menos brilhante que terá sido catalogada como h Persei, embora se desconheça qual delas - é frequente associar-se o NGC 884 ( visível no lado esquerdo da imagem ) à Qui Persei, enquanto o NGC 869 ( visível do lado direito ) se associa à obscura estrela h Persei, mas esta relação é controversa pois, na verdade, a Qui Persei encontra-se no enxame vulgarmente associado à h Persei.
Apresentando Magnitudes de 6.1 e 5.3 , respectivamente, são visíveis a olho nu em céus escuros e uma observação muitíssimo interessante de se fazer mesmo apenas com binóculos. Foram identificados e catalogados pela primeira vez em 120 a.C. pelo grego Hiparco.







- NGC 957 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.6 , observável com telescópios modestos, embora se apresente bastante pobre em estrelas suficientemente brilhantes nestes instrumentos.










- NGC 1023 - uma galáxia espiral de Mag. 9.4 , observável, com dificuldade, através de telescópios modestos. Na imagem ao lado, é a galáxia mais extensa, do lado esquerdo, em cima.











- NGC 1333 - uma nebulosa de reflexão de Mag. 7 ( ?...), bastante difícil de se localizar com telescópios modestos, por exigir ampliações elevadas e se apresentar bastante ténue.







 

- NGC 1342 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.7 , observável com binóculos e telescópios modestos, embora pouco interessante nestes instrumentos.











- NGC 1499 - uma nebulosa de emissão de Mag. 6.0 , muito difícil de se observar mesmo com telescópios de 200 mm, por ser bastante extensa e, ao mesmo tempo, muito ténue - exigirá céus escuros e poderá ser apenas visível através de um filtro H-Beta. Também é conhecida como Nebulosa Califórnia, devido às semelhanças com o formato do estado Norte-Americano.
Está representada no mapa apresentado mais abaixo neste texto, dentro de uma área a azul ( no mapa com fundo branco, a amarelo ) e identificada textualmente.



- NGC 1528 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.4 , observável com binóculos e telescópios modestos.











- NGC 1545 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.2 . Pode ser observado com instrumentos modestos, mas apresentar-se-á bastante pobre em estrelas suficientemente brilhantes.













- IC 348 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.4 com uma nebulosa associada. O enxame é algo difícil, embora possível, de se observar com telescópios modestos, mas a nebulosa que lhe está associada exigirá instrumentos potentes ou filtros adequados e céus muito escuros.












- Mel 20 - também conhecido como Perseu A ou Enxame Alfa Persei, por conter a Alfa de Perseu, a estrela Mirfak, é um enxame estelar aberto de Mag. ( média ) 1.2 , visível a olho nu e muito interessante de se observar mesmo apenas com binóculos. A designação " Mel 20 " deve-se ao facto de constar de um catálogo de enxames estelares, muito célebre entre os astrónomos amadores, compilado por ( Philibert Jacques ) Melotte














Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


Clicar na imagem para ampliar o mapa

 Mapa com fundo branco 

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

Clicar na imagem para ampliar o mapa

Existe em Perseu um asterismo muito famoso:

- β (Beta) [" Algol "] + π (Pi) + ρ (Ró) + ω (Ómega) formam um desenho conhecido como Cabeça da Medusa.



Estrelas mais notáveis:


- α (Alfa), tem o nome próprio Mirfak, de uma expressão árabe que se referia ao " cotovelo " embora para os Árabes antigos assinalasse, não o cotovelo de Perseu, mas o " cotovelo das Plêiades " ( famoso enxame estelar aberto na constelação do Touro ). Também é por vezes referida pelo nome próprio Algenib, de uma expressão árabe que significa " o flanco " - note-se que, sendo este nome tão frequentemente atribuído a outras estrelas de várias constelações, o seu uso pode gerar mal-entendidos. É uma estrela supergigante amarelada de Magnitude 1.8 .
- β (Beta), tem o nome próprio Algol, do árabe " Al Ghul " significando " o demónio ". É uma das estrelas mais famosas do céu devido às suas variações cíclicas de brilho, conhecidas desde a antiguidade. Representa o olho da Medusa e está associada a muitos mitos, lendas e crenças. É por vezes referida como " Algol, o demónio que pisca ", isto porque, por ser uma tripla física ( a proximidade entre as estrelas que a constituem é real ) cujas componentes se eclipsam num período de tempo bastante curto ( dias ), a sua Magnitude varia de forma muito perceptível. Por se encontrarem demasiado próximas umas das outras, torna-se impossível observar as componentes individualmente através de instrumentos ópticos. Este sistema é o protótipo de uma classe de estrelas variáveis com características comuns que se denominam " Variáveis do tipo ( ou classe ) Algol ". No caso de Algol, a sua Mag. altera-se entre 2.1 e 3.4 em cerca de apenas 3 dias. É igualmente uma estrela relativamente próxima de nós, a cerca de 94 anos-luz.
- γ (Gama), é por vezes referida pelo nome próprio Al Fakhir, do árabe significando " o excelente ". É uma dupla física, cujas componentes são extremamente difíceis de se observar separadas uma da outra através de instrumentos ópticos, de Mag. ( global ) 2.9 .
- δ (Delta), é por vezes referida pelo nome próprio Adid Borealis, expressão híbrida entre uma árabe que menciona " o braço superior " ( das Plêiades ) e o sufixo latino " Borealis ", que se refere ao que se encontra a Norte. É uma gigante azul de Mag. 2.9 .
- ε (Épsilon), é por vezes referida pelo nome próprio Adid Australis, expressão híbrida entre uma árabe que menciona " o braço superior " ( das Plêiades ) e o sufixo latino " Australis ", que se refere ao que se encontra a Sul. É uma dupla ( ou múltipla ) física, bastante difícil de se observar separada nas duas componentes principais com instrumentos ópticos, de Mag. ( global ) 3.0 .
- ζ (Zeta), é uma supergigante azul de Mag. 2.9 .
- η (Eta), tem o nome próprio Miram, supostamente de origem árabe, embora esta e o seu significado sejam obscuros. É uma supergigante alaranjada de Mag. 3.7 . A sua observação através de telescópios modestos mostrará uma companheira próxima mais apagada que, apesar de ainda não se conseguir provar a verdadeira natureza deste sistema, se tende a considerar que forma com a Eta Persei uma dupla apenas óptica ( a proximidade entre as componentes não é real, mas fruto da perspectiva ).
Miram ( Eta Persei )
- θ (Teta), é uma anã amarelada parecida com o nosso Sol. Apresenta uma Mag. de 4.1 e encontra-se relativamente próxima, a 36 anos-luz de nós.
- ι (Iota), é uma anã amarelada com algumas semelhanças com o nosso Sol. Apresenta uma Mag. de 4.0 e encontra-se relativamente próxima, a apenas 34 anos-luz de distância.
- κ (Capa), tem o nome próprio Misam, de uma expressão árabe que refere " o punho " ( das Plêiades ). É um sistema triplo ( de natureza física ) composto por estrelas demasiado próximas umas das outras para que possam ser observadas individualmente através de instrumentos ópticos. Encontra-se a cerca de 112 anos-luz e apresenta uma Mag. ( global ) de 3.8 .
- ξ (Csi), é por vezes mencionada pelo nome próprio Menkib, de uma expressão árabe que menciona " o ombro ", referindo-se ao " ombro das Plêiades ". No entanto este nome próprio costuma gerar confusões, pois não raras vezes é associado à estrela Zeta desta constelação. Alguns autores socorrem-se de variações da designação ( Menkhib, Menchib, etc. ) para fazerem a distinção entre ambas, mas todas elas são muito pouco consensuais. Evita-se, por isso, o uso de qualquer nome próprio para ambas. A Csi Persei é uma supergigante azul de Mag 4.0 , pertencente ao grupo de estrelas que fazem brilhar a nebulosa NGC 1499, também conhecida como " Nebulosa Califórnia ".
- ο (Ómicron), tem o nome próprio Al Atik, de uma expressão árabe que menciona " a clavícula ", pretendendo referir-se à " clavícula das Plêiades " ( famoso enxame estelar aberto na constelação do Touro). Note-se que a maior parte dos nomes árabes atribuídos às estrelas de Perseu se associavam originalmente a uma figura diferente desta, numa constelação visualizada no céu pelos Árabes antigos que abarcava as Plêiades e caída em desuso para os astrónomos modernos. É uma dupla física, impossível de se observar separada nas suas componentes individuais através de instrumentos ópticos, de Mag. ( global ) 3.8 .
- π (Pi), era conhecida como Gorgonea Secunda, expressão latina significando " a segunda Górgona ". Este nome pretendia relacionar as estrelas mais evidentes que desenham a Cabeça da Medusa, com a lenda grega associada a esse monstro. Uma das versões do mito contava que existiam 3 Górgonas, 2 das quais imortais ( Euríale e Esteno, que eram irmãs ) e a Medusa, uma mortal transformada em Górgona pela deusa Atena; fontes gregas distintas, mais antigas, relatavam que as 3 Górgonas seriam irmãs, mantendo no entanto que a Medusa era mortal. A estrela que se designava Gorgonea Prima ( " a primeira Górgona " ) é a famosa Algol, a Alfa da constelação. Existe, no entanto, uma contradição nesta associação, visto que considerava 4 estrelas, apesar de só existirem 3 Górgonas. A π (Pi) Persei é uma estrela azul de Mag. de 4.6 .
- ρ (Ró), era conhecida como Gorgonea Tertia ( " a terceira Górgona " ). É uma gigante vermelha de Mag. 3.4 .
- ω (Ómega), era conhecida como Gorgonea Quarta ( " a quarta Górgona " ). É uma estrela amarelada de Mag. 4.6 .




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