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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lepus ( Lebre )


Na ilustração vemos destacadas as constelações do Cão Maior e da Lebre ( em cima, do lado direito ).


Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Lep
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Leporis
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  62°N – 90°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  79
°N 62°N
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  14 Dez


Constelação antiga, conhecida dos Gregos clássicos, muito fácil de se localizar no céu ( procure-se a Sul de Orion ) por ser constituída por estrelas relativamente brilhantes, Lepus representa uma lebre que se esconde aos pés do caçador Orion.


Não existe, até onde se conhece, uma lenda directamente relacionada com esta figura, mas a constelação foi usada por alguns filósofos gregos e romanos para apresentar determinadas ideias e conceitos, aproveitando as características da lebre, nomeadamente a fácil reprodução desta espécie. Higino, escritor romano cuja obra é uma das fontes privilegiadas no estudo contemporâneo da mitologia greco-romana, escreveu um conto envolvendo a Lebre e que pretendia ilustrar a máxima de que " quem tudo quer, tudo perde ":  
Segundo a história, um habitante da ilha de Leros teria trazido a primeira lebre para a região, uma fêmea gestante. A fertilidade e alta taxa de reprodução deste animal fez com que, em pouco tempo e para júbilo dos insulares, várias lebres habitassem toda a ilha. No entanto, não demorou muito para que se vissem a braços, não com abundância de alimento, mas com uma praga de lebres que destruíam totalmente as colheitas. Num esforço concertado, a população conseguiu eliminar por completo a espécie da região, tendo desenhado a figura deste animal no céu como lembrança e aviso, para que a cautela deva imperar perante a soberba.
Outras referências, decorrentes da interpretação da mitologia grega, indicam que a Lebre teria sido colocada no céu por Hermes, figura lendária com características e atributos complexos, entre os quais o dom da fertilidade e o facto de ser o mensageiro dos deuses gregos, em homenagem à agilidade e rapidez deste animal.



Objectos celestes mais notáveis:



- M 79 - um enxame estelar globular de Magnitude 8.4 , visível com binóculos em céus muito escuros ( com este instrumento, aparenta ser uma estrela com contornos nebulosos ).









- NGC 2017 - um enxame estelar aberto de Mag. ( média ) 6.4 , observável com telescópios modestos. Com binóculos serão visíveis apenas as 2 ou 3 estrelas mais brilhantes do conjunto. Existe alguma polémica relativamente a este grupo de estrelas, suspeitando-se que não se trate de um verdadeiro enxame estelar aberto, pois as estrelas que o compõem podem não estar relacionadas entre si, não passando de um alinhamento fortuito fruto da perspectiva.








Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


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 Mapa com fundo branco 

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

Clicar na imagem para ampliar o mapa


Estrelas mais notáveis:


- α (Alfa), tem o nome próprio Arneb, do árabe significando " a lebre ". É uma supergigante branco-amarelada de Magnitude 2.6 .
- β (Beta), tem o nome próprio Nihal, de uma expressão árabe que pretendia designar um grupo de estrelas, entre as quais a Beta Leporis, e que representava " o grupo de camelos prestes a saciar a sede ". Apresenta algumas características peculiares, entre as quais o facto de ser um sistema ( não se tem a certeza se duplo ou triplo ) físico ( a proximidade entre as estrelas que a constituem é real ) cuja componente principal é uma gigante amarela. A companheira, difícil de se distinguir com telescópios modestos por se apresentar demasiado sobreposta à principal, mostra variações de brilho ainda por explicar de forma definitiva ( a hipótese mais aceite aponta-a como sendo um dupla física cujas componentes se eclipsam periodicamente, o que definiria o sistema como sendo triplo ) - já foi observada apresentando uma Mag. de cerca de 7 até 11. O par, ou conjunto, brilha com uma Mag. ( global ) à volta de 2.8 .
- γ (Gama), é uma dupla física muito interessante, cujas componentes podem ser distinguidas individualmente mesmo apenas com uns binóculos. O sistema encontra-se relativamente próximo de nós, a 29 anos-luz, e apresenta uma Mag. ( global ) de 3.5 .
Gama Leporis
- δ (Delta), é uma gigante amarela de Mag. 3.8 .
- ε (Épsilon), é por vezes mencionada pelo nome próprio, raramente usado, Sasin  ou Sasanka, de uma expressão proveniente do sistema astrológico Hindu, significando " marca da ( ou marcado pela ) Lebre ".  É uma gigante alaranjada de Mag. 3.2 .
- ζ (Zeta), é uma anã esbranquiçada de Mag. 3.5 , a cerca de 70 anos-luz de nós.
- μ (Miú), é uma estrela variável irregular, com pequenas alterações de Mag. entre 3.2 e 3.4 .
- R Leporis, é também denominada Hind's Crimson Star - " a estrela carmesim de Hind ". Foi descoberta pelo astrónomo inglês John Russell Hind, que ficou maravilhado com o intenso tom de vermelho desta estrela. É uma variável do tipo Mira ( protótipo desta classe de estrelas ) com uma amplitude de alterações de brilho entre Mag. 5.5 ( observável a olho nu em céus escuros ) e 11.7 ( apenas visível com telescópios ), em ciclos de cerca de 430 dias. Está assinalada no mapa acima com um " R " vermelho e dentro de um círculo da mesma cor.





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