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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eridanus ( Erídano )


Na ilustração vemos evidenciadas as constelações de Erídano ( o rio ), Cetus e Fornax


Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Eri
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Eridani
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  32°N – 89°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  90
°N 32°N
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  10 Nov


Esta é uma constelação relativamente difícil de se localizar e observar na sua totalidade porque, para além de muito extensa, é constituída, na sua maioria, por estrelas de fraco brilho. Tome-se por referência constelações vizinhas mais óbvias - Orion, Cão Maior, Quilha - e a estrela mais brilhante de Erídano ( Achernar ), em latitudes suficientemente a Sul para que esta possa ser observada no céu.

 
A sua origem é muito antiga, inspirada numa ancestral representação celeste da cultura babilónica, pelo que algumas lendas clássicas lhe foram sendo associadas:

- Numa das histórias primordiais da mitologia grega, Erídano era um rio divino, nascido da união de Oceano e Tétis, não sendo identificado com nenhum rio real.
- Erídano foi, entretanto, sendo associado a alguns rios famosos: Nilo, ou o rio Pó ( em Itália ) - conhecido pelos antigos Gregos como " Erídanos " - ou o Eufrates, entre outros.
- Outra lenda grega refere que Erídano seria o rio onde vivia Cetus, o monstro marinho que podemos observar na ilustração apresentada no início deste texto.
- Noutra ainda, relatava a mitologia grega um episódio em que o filho de Hélio, Faetonte, conseguira apoderar-se da carruagem que o pai usava para transportar o Sol à volta da Terra. Inexperiente, Faetonte perdeu o controlo da carruagem puxada pelos quatro cavalos de Hélio, levando o Sol numa viagem errática que o aproximou da Terra. Esta lenda explicava que a água de África se evaporou quando o Sol passou mais próximo, tornando mais escura a pele dos habitantes de toda a área. Numa das versões, a constelação de Erídano marca no céu o caminho percorrido pela carruagem dirigida por Faetonte. Noutra, representa o rio onde este teria caído e morrido, após ser atingido por um raio de Zeus, quando o deus se apercebeu do perigo que representava, para a Terra e seus habitantes, a viagem desastrada de Faetonte.



Objectos celestes mais notáveis:


A constelação de Erídano está repleta de objectos celestes muito apelativos, incluindo imensas galáxias mas, quase na totalidade, estes motivos de interesse só podem ser observados em detalhe com telescópios de abertura superior a 200 mm. Escolheram-se, de entre imensos, alguns, mais célebres, observáveis a um universo mais amplo de astrónomos amadores embora, mesmo entre estes, a maioria permaneça apenas ao alcance de quem possui instrumentos na gama dos 200 mm de abertura. Recomenda-se a quem faça observações com telescópios desta categoria, ou superior, a consulta de um mapa celeste de Magnitude limite de, pelo menos, 12. 


Destacam-se:


- NGC 1084 - uma galáxia espiral de Mag 10.6 , difícil de se observar, mesmo com telescópios de 200 mm.













- NGC 1232 - uma galáxia espiral de Mag. 10.1 , difícil de se observar com telescópios de abertura inferior a 150 mm.










- NGC 1291 - uma galáxia peculiar, com um centro mais condensado e um anel exterior, menos denso. É por isso por vezes classificada como uma galáxia anelar. De Mag. 8.6 , pode ser observada com telescópios modestos, mas exige céus escuros.









- NGC 1300 - uma galáxia espiral barrada de Mag. 10.5 , observável com telescópios de abertura superior a 150 mm, belíssima através de instrumentos com mais de 200 mm de abertura.









- NGC 1332 - uma galáxia lenticular de Mag. 10.4 , observável com telescópios de abertura superior a 150 mm.










- NGC 1535 - uma nebulosa planetária de Mag. 9.6 , difícil de se observar com telescópios modestos devido a apresentar dimensões reduzidas.











A título de curiosidade, refira-se que os astrónomos observaram em Erídano um vasto espaço sem galáxias, o maior encontrado até hoje, a que chamam " Supervazio de Erídano ". Segundo previsões teóricas sobre o desenvolvimento do Universo após o Big-Bang, estes vazios e o Supervazio de Erídano, em particular, não deveriam existir. Especulações quânticas estudam a possibilidade de este ser um espaço originado pela interacção com universos paralelos.



Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


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Mapa com fundo branco

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

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Estrelas mais notáveis:


- α (Alfa), tem o nome próprio Achernar, de uma expressão árabe que se refere à " foz do rio ", pois assinala o fim deste rio celeste. É uma anã azulada de Magnitude 0.5 que apresenta a peculiaridade de ser a mais achatada de entre todas as estrelas conhecidas, devido à extrema velocidade com que roda sobre si própria.
- β (Beta), tem o nome próprio Cursa, de uma expressão árabe que refere " a ponta da parte frontal da cadeira ( ou do apoio para os pés ) da figura central " - a " figura central " era uma antiga constelação árabe que abarcava estrelas das modernas constelações de Orion e Gémeos. É uma gigante esbranquiçada de Mag. 2.8 a apenas 89 anos-luz de nós.
- γ (Gama), tem o nome próprio Zaurak, do árabe significando " barco ", pois representava para os antigos Árabes uma pequena embarcação no rio. É uma gigante vermelha de Mag. 3.0 .
- δ (Delta), tem o nome próprio Rana, tradução para latim do nome próprio árabe de uma outra estrela, diferente desta, que os antigos Árabes identificavam como sendo uma de entre duas rãs celestes. É uma gigante avermelhada de Mag. 3.6 , a apenas 30 anos-luz.
- ε (Épsilon), é por vezes referida pelo nome próprio, pouco usado, Sadira, de uma expressão árabe que se refere às " avestruzes retornando do rio ". É uma anã amarela de Mag. 3.7 , muito semelhante ao nosso Sol. Encontra-se bastante próxima de nós, ocupando o 9º lugar em termos de vizinhança, a apenas 10,5 anos-luz. Devido a estas características, foi uma das primeiras escolhas de Frank Drake no seu projecto OZMA, na década de 60. Neste estudo monitorizaram-se várias estrelas, tentando detectar emissões de ondas de rádio no comprimento de onda de 21 cm, que poderiam identificar a presença de civilizações extra-terrestres na nossa galáxia. Não foram detectados sinais suspeitos. Apesar disso, a Épsilon Eridani destaca-se por ser uma das estrelas mais próximas de nós a possuir, pelo menos, um planeta na sua órbita - os dados recolhidos indicam que este será um planeta gasoso, semelhante a Júpiter, com 1.5 vezes a massa deste e a quase 3/4 da distância entre Júpiter e o Sol.
- ζ (Zeta), é por vezes referida pelo nome próprio Zibal, de uma expressão árabe que se refere ao " ninho das avestruzes ". É uma gigante esbranquiçada de Mag. 4.8 .
- η (Eta), tem o nome próprio Azha, corrupção da mesma expressão árabe original que denominava um grupo de estrelas simultaneamente e que se referia ao " ninho das avestruzes " que os antigos Árabes visualizavam nesta área do céu. É uma gigante alaranjada de Mag. 3.9 .
- θ (Teta), tem o nome próprio Acamar, corrupção da mesma expressão árabe que originou o nome da estrela " Achernar ", pelo que ambos se referem ao mesmo: " a foz do rio ". De referir que a primeira, de entre ambas, a ser identificada como assinalando o final do rio celeste foi, precisamente, a Teta Eridani - posteriormente a constelação foi alargada mais para Sul, terminando na actual Alfa Eridani. É uma dupla física ( a proximidade entre as estrelas que a constituem é real ) facilmente separada nas duas componentes através de instrumentos modestos e muito bela de se observar, de Mag. ( global ) 3.0 .
Acamar ( Teta Eridani )
- λ (Lambda), é uma gigante azul-esbranquiçada de Mag. 4.2 .
- μ (Miú), é uma gigante azulada de Mag. 4.2 .
- ν (Niú), é uma gigante azulada de Mag. 3.9 .
- ο (Ómicron) - na verdade, duas estrelas aparentemente próximas ( fruto apenas da perspectiva ) e com brilho similar, receberam a designação " Ómicron ":
1 ) - a Ómicron 1 tem o nome próprio Beid, do árabe significando " os ovos ", pois fazia parte de uma pequena constelação que, para os Árabes antigos, representava avestruzes e o seu ninho. É uma gigante alaranjada de Mag. 4.0 .
Keid ( Ómicron 2 Eridani )
2 ) - a Ómicron 2, também conhecida como 40 Eridani, tem o nome próprio Keid, relacionado com a representação celeste descrita acima, significando " as cascas de ovo ".
É uma tripla física ( a proximidade entre as estrelas que a constituem é real ), cuja dupla principal é muito interessante de se observar com instrumentos modestos, de Mag. ( global ) 4.4 .
O sistema encontra-se bastante próximo de nós, a apenas 16 anos-luz.
Na imagem ao lado é visível a terceira componente, que exige telescópios potentes ou registos fotográficos para que possa ser identificada com instrumentos amadores.
- τ (Tau) - na verdade, um conjunto de 9 estrelas em nada relacionadas umas com as outras, exceptuando o facto de desenharem uma linha sinuosa que representa parte do caudal do rio Erídano, receberam a designação " Tau " - diferenciam-se umas das outras através do uso da exponenciação ( Tau 1, Tau 2,...Tau 9 ). Este grupo de estrelas, ou asterismo, é por vezes mencionado pelo nome próprio de origem latina Liberflux, significando " o livre fluxo " ( do rio ).
- υ (Úpsilon) - na verdade um grupo de 4 estrelas em nada relacionadas entre si, exceptuando o facto de se apresentarem aparentemente próximas, com algumas semelhanças a nível de brilho, receberam a designação " Úpsilon ". Este conjunto, ou asterismo, é por vezes referido pelo nome próprio Theemim, expressão cuja origem é discutível, embora se tenda a indicar que poderá derivar do árabe ou hebraico, em que o seu significado se traduziria por " os gémeos ". Outras interpretações sugerem significados diferentes.
- p Eridani, é uma dupla física de Mag. ( global ) 5.7 , muito interessante e relativamente fácil de se observar separada nas suas componentes individuais através de telescópios modestos. O sistema encontra-se a apenas 26 anos-luz de nós.
p Eridani
 - 32 Eridani, é uma dupla física de Mag. ( global ) 4.8 , algo difícil de se mostrar separada nas duas componentes através de telescópios modestos.
32 Eridani



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