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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Canis Major ( Cão Maior )


Na ilustração estão destacadas algumas figuras correspondentes a várias constelações independentes, entre as quais o Cão Maior, aqui denominado " Grosse Hund ".

Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  CMa
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Canis Majoris
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  56°N – 90°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  78
°N 56°
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  2 Jan


A figura celeste do Cão Maior é muito fácil de se encontrar, não só por ser constituída por estrelas óbvias e devido ao seu formato inconfundível, mas sobretudo pela presença da estrela mais brilhante, e talvez a mais célebre, de todo o céu, Sírio. Terá sido, inclusive, esta estrela a ganhar notoriedade para as civilizações mais antigas, muito antes da própria constelação como um todo. 
Localiza-se com facilidade nas imediações de outra constelação célebre e bastante óbvia: Orion.


De uma forma geral, costuma-se relacionar a figura do Cão Maior com as constelações vizinhas, pois estas são vistas como participantes num cenário comum. Neste episódio representado no céu, observa-se o caçador Orionte a defender-se da investida do Touro ( constelação do Touro ), enquanto os seus dois cães observam a luta - o Cão Menor permanece estático do seu lado esquerdo e o Cão Maior, aos pés do caçador, distrai-se com uma Lebre ( constelação da Lebre ) que passa.
No entanto, algumas lendas independentes foram sendo associadas à figura do cão, das quais se celebrizaram as que faziam parte da cultura greco-romana. Segundo os Gregos, representava Laelaps, um cão mítico cuja velocidade lhe permitia alcançar qualquer presa que perseguisse. Algumas versões contam que Laelaps havia sido oferecido por Zeus a Europa, uma das várias mortais cobiçadas pelo líder dos deuses olímpicos. Desta relação viria a nascer o mítico rei de Creta, Minos, que herdou o lendário cão. Tendo um dia sido vítima de uma maldição lançada pela sua própria esposa, Minos pediu ajuda à filha dos monarcas de Atenas, Procris, que, após ter conseguido curar o rei, recebeu como recompensa Laelaps e uma lança mágica que nunca falhava o seu alvo. Uma outra versão da história relata que estes presentes teriam sido oferecidos pela deusa Ártemis a Procris.
A lenda principal prossegue contando que o marido de Procris, Céfalo, tentou usar Laelaps para caçar uma raposa mítica que assolava os campos de Tebas, a Norte de Atenas. Assim como o cão conseguia alcançar qualquer presa, também esta raposa possuía o poder de conseguir escapar a qualquer caçador. Perante o paradoxo, em que se veriam eternamente envolvidos numa perseguição irresolúvel, Zeus transformou ambos em pedra, colocando a imagem de Laelaps no céu. A história termina com Procris atingida mortalmente por engano com a lança mágica atirada pelo seu marido, posteriormente condenado ao exílio pelos pais de Procris.


Objectos celestes mais notáveis:



- M 41 - um enxame estelar aberto de Mag. 4.5 , muito interessante de se observar com binóculos.















- NGC 2345 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.7 , observável com telescópios modestos.











- NGC 2354 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.5 , muito interessante de se observar com binóculos.









- NGC 2360 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.2 , observável com telescópios modestos.









- NGC 2362 - um enxame estelar aberto de Mag. 4.1 , muito belo, mesmo quando observado com telescópios modestos. A estrela central é a τ ( Tau ) Canis Majoris, de Mag. 4.4 - a sua presença e forte brilho prejudicam a observação do enxame através de binóculos.










Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


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Mapa com fundo branco

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

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A estrela Alfa do Cão Maior faz parte de alguns asterismos famosos:
- α (Alfa) Orionis + α (Alfa) Aurigae + α (Alfa) Geminorum + β (Beta) Geminorum + α (Alfa) Canis Minoris + α (Alfa) Canis Majoris + β (Beta) Orionis + α (Alfa) Tauri - formam um desenho conhecido como G Celeste.
- α (Alfa) Canis Minoris + α (Alfa) Canis Majoris + α (Alfa) Orionis - formam um desenho conhecido no hemisfério Norte como Triângulo de Inverno.
- α (Alfa) Canis Minoris + α (Alfa) Canis Majoris + β (Beta) Orionis + α (Alfa) Tauri + α (Alfa) Aurigae + β (Beta) Geminorum - formam um desenho conhecido no hemisfério Norte como Diamante de Inverno.



Estrelas mais notáveis:


Sírio e a sua companheira mais débil, Sírio B
- α (Alfa), tem o nome próprio Sírio ( Sirius ), do grego " Seirios ", que significa " brilhante " ou " ardente ", embora outras designações se tenham igualmente popularizado, destacando-se entre estas o termo latino " Canicula " ( " o  cachorrinho " ). Com uma Magnitude de -1.5 , é a estrela mais brilhante do céu e uma das mais próximas de nós, a apenas 8.6 anos-luz. É uma dupla física ( a proximidade entre as componentes é real ), constituída por uma anã  branca cerca de 30 vezes mais brilhante que o Sol, e uma companheira ( " Sírio B " ) muito mais apagada, que completam uma órbita em torno uma da outra em cerca de 50 anos. O sistema duplo é impossível de se observar separado nas suas componentes individuais com telescópios amadores, pois necessita de instrumentos de enorme abertura que consigam distinguir a abismal diferença de magnitude entre ambas ( a título de curiosidade, refira-se que atingirão a sua maior separação aparente em 2019 ). Devido ao seu brilho, Sírio ganhou destaque para várias culturas ao longo dos tempos, incluindo os Gregos, para quem o nascimento desta estrela no horizonte antes do amanhecer anunciava a altura mais quente do Verão. Muito antes desta civilização, já os antigos Egípcios veneravam este acontecimento, que anunciava para eles o início das tão aguardadas cheias do Nilo. Sírio era por isso vista como a divina " Sepat " ou " Sopdet ", uma manifestação de Ísis, e este evento marcava o início do ano no calendário egípcio. 
- β (Beta), tem o nome próprio Mirzam, derivando do termo árabe " Al Murzim " que significa " o arauto " - sem mais referências quanto à natureza ou mensagem deste " arauto ", presume-se que a estrela deva o seu nome ao facto de se levantar no horizonte antes de Sírio, podendo significar que " anuncia " o aparecimento desta última. É uma gigante azul de Mag. 2.0 .
- γ (Gama), tem o nome próprio Muliphein, um termo proveniente do árabe e cuja interpretação se apresenta bastante confusa. Alguns indicam que a expressão original significa " a estela do juramento ", enquanto outros referem que a frase explicava algo associado a um antigo asterismo árabe, ao qual a Gama Canis Majoris é totalmente alheia, composto por 3 estrelas e conhecido como " as virgens ". É uma gigante azul de Mag. 4.1 .
- δ (Delta),  tem o nome próprio Wezen, do árabe, significando " o peso ". Muito provavelmente este nome teria sido originalmente atribuído a uma estrela totalmente diferente desta. É uma supergigante amarela extremamente maciça, de Mag. 1.8 .
- ε (Épsilon), tem o nome próprio Adhara, do árabe, significando " as virgens " - a denominação pretendia originalmente referir-se, não a uma estrela apenas, mas a 3 que formam um pequeno triângulo: Delta + Épsilon + Eta . É uma gigante azulada de Mag. 1.5 .
- ζ (Zeta), tem o nome próprio Furud, do árabe " Al-Furud ", significando " a solitária ". O nome faz sentido, pois encontra-se bastante afastada das outras estrelas brilhantes que formam a constelação, mas o termo aplicava-se a qualquer outra estrela nas mesmas condições, tendo sido um erro atribuí-lo em exclusivo à Zeta desta constelação. É uma anã azul de Mag 3.0 .
- η (Eta), tem o nome próprio Aludra, do mesmo termo árabe que origina a expressão " Adhara " e que se refere à " virgindade ". Tal como a Épsilon da constelação, Aludra era uma das " virgens " que os Árabes viam no triângulo formado por estas duas estrelas e a Delta do Cão Maior. É uma supergigante azulada de Mag 2.4 .
- ο² (Ómicron 2), é uma supergigante azul de Mag. ligeiramente variável, à volta de 3.0 .
- VY Canis Majoris, é uma hipergigante vermelha a cerca de 4 000 anos-luz ( estimativa sujeita a confirmação ) de nós. Já foi considerada a maior estrela conhecida ( em diâmetro ), mas perdeu entretanto esse estatuto.
A explicação para este facto é simples: não só se vão descobrindo cada vez mais estrelas, devido à evolução da nossa tecnologia, como os dados físicos de estrelas tão distantes de nós - e, portanto, difíceis de estudar com rigor - não passam de estimativas, constantemente refinadas.
Para além disso, muitas das que se encontram na lista de candidatas a " maior estrela conhecida " são estrelas variáveis - a sua magnitude varia e, por vezes, essas alterações devem-se precisamente ao facto de a estrela dilatar-se e contrair-se ciclicamente, aumentando e diminuindo de diâmetro.
Clicar na imagem para ampliar
Por estas razões, é sempre pouco provável que uma determinada estrela ostente o título de " maior estrela conhecida " durante muito tempo, apesar de o público em geral procurar avidamente estes temas. Se o leitor tem curiosidade em conhecer qual a melhor candidata a " maior estrela " - em determinada altura - pode consultar uma tabela na Wikipédia, na versão inglesa - melhor fonte para esta informação, por apresentar actualizações com relativa frequência.
Apresentando uma Mag. de 8.0 , a VY Canis Major apenas é visível com binóculos ou telescópios. Localize-se na imagem da direita, assinalada com uma mira verde.
 - H 3945 ( outras designações: ADS 5951 / HIP 35210 / 145 CMa ), é uma belíssima dupla física de Mag. ( global ) 4.5 , que se mostra separada nas duas componentes individuais quando observada através de telescópios modestos.
H 3945



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