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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Auriga ( Cocheiro )




Dados da constelação:
Abreviatura oficial:  Aur
Genitivo usado para formar o nome das estrelas:  Aurigae
Possível de se observar na totalidade entre as latitudes:  90°N – 34°S 
Possível de se observar parcialmente entre as latitudes:  34
°S 62°
Culminação à meia-noite - data em que passa mais tempo visível à noite:  21 Dez


Uma das figuras mais antigas desenhadas no céu, originária da cultura suméria, o Cocheiro ( Auriga ) encontra-se a Norte do Touro e Gémeos, podendo usar-se a proximidade destas constelações como referência. Localiza-se com facilidade no céu, por ser constituída por estrelas bastante brilhantes e apresentar um formato muito simples de se reconhecer, semelhante a um pentágono. Segundo a tradição, o desenho das suas estrelas principais pretende formar a figura de um homem ajoelhado, segurando numa das mãos o chicote ( ou rédea ) usado pelo condutor de um coche, ou quadriga, e carregando às costas ou junto ao peito uma cabra e dois cabritos.



Os antigos Gregos associavam-lhe algumas lendas distintas:

A mais popular refere que o homem seria Erictónio, rei mítico de Atenas. Tutorado pela própria deusa Atena, Erictónio teria aprendido muitas das artes preferidas desta, entre as quais a domesticação de cavalos. Teria sido o primeiro a colocar 4 cavalos a puxar uma carruagem ( quadriga ), inspirado na biga do deus Hélio, facto que viria a merecer o reconhecimento de Zeus, garantindo-lhe um lugar eterno no céu.

Outra lenda conta que a personagem do Cocheiro seria Mirtilo, o condutor das bigas ( coche puxado por dois cavalos ) do rei da Élida, Enomau. Enomau possuía os melhores cavalos de competição, conduzidos por Mirtilo, corredor de excelência. Não querendo que a sua filha Hipodâmia alguma vez casasse, o rei desafiava todos os que se apresentassem como pretendentes para uma corrida contra a sua biga conduzida por Mirtilo, transportando Enomau, enquanto o concorrente transportaria Hipodâmia. Caso vencessem, poderiam desposar a sua filha, mas a derrota significaria a morte. Poucos se apresentaram e todos os que o fizeram acabaram decapitados, até que surgiu Pélope, um jovem príncipe muito belo por quem Hipodâmia imediatamente se apaixonou. Tomada por esta paixão, a jovem pediu a Mirtilo que engendrasse forma de deixar Pélope vencer a corrida, pedido a que Mirtilo acedeu pois, na verdade, ele próprio nutria secretamente um grande amor ( ou paixão, segundo alguns autores, que relatam uma tentativa de violação da princesa ) por Hipodâmia. Mirtilo teria então sabotado a sua própria biga, de forma a que saltasse uma das rodas durante a corrida, provocando um acidente no qual viria a perecer o rei Enomau. Em vez de ficar agradecido, Pélope reconheceu no amor de Mirtilo uma ameaça ao seu casamento com Hipodâmia ( ou, na versão alternativa, tomou conhecimento da tentada violação ), pelo que lançou o condutor do rei às águas, onde este se afogou, não sem antes ter amaldiçoado a descendência de Pélope. Tomado por desgosto, o veloz mensageiro dos deuses Hermes ( Mercúrio, para os Romanos ), pai de Mirtilo, teria então colocado a imagem do seu filho no céu.

Uma outra lenda distinta identifica o Cocheiro como sendo Hipólito, filho de Teseu ( herói mítico que derrotou o monstro Minotauro ) com uma Amazona. A mãe adoptiva de Hipólito, Fedra ( irmã de Ariadne, a filha do rei Minos que ajudou Teseu contra o Minotauro ), apaixonou-se por ele, mas Hipólito não correspondia a esse amor. Temendo que Teseu viesse a descobrir esta paixão, Fedra contou que era Hipólito que a assediava. Desgostoso, Teseu mandou expatriar o filho e pediu ao deus Posídon ( deus dos mares, mas também dos cavalos ) que lhe provocasse a morte. Conduzindo uma quadriga, Hipólito acabou por sucumbir, num acidente durante a viagem, debaixo das patas dos seus cavalos.

Quanto à cabra e seus dois cabritos, estes são identificados como sendo a cabra sagrada Amalteia e seus dois filhotes. A lenda conta que Zeus teria sido deixado em criança aos cuidados de ninfas e alimentado por Amalteia, tendo por isso homenageado a cabra sagrada colocando a sua imagem no céu, assinalada pela estrela Capella. Intrigante é o facto de Amalteia estar representada junto a uma personagem com a qual não partilha qualquer episódio ou relação na mitologia grega.


Objectos celestes mais notáveis:
 

- M 36 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.0 , facilmente visível com uns binóculos.
















- M 37 - um enxame estelar aberto de Mag. 5.6 , muito interessante de se observar com binóculos.









- M 38 - um enxame estelar aberto de Mag. 6.4 , facilmente visível com uns binóculos.






Na imagem da direita podemos igualmente observar outro enxame estelar aberto, menos óbvio, no topo direito. Este denomina-se NGC 1907 e apresenta uma Mag. de 8.2 , sendo bastante mais difícil de se observar com telescópios modestos.



- NGC 1778 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.7 , algo decepcionante quando observado com instrumentos modestos.









- NGC 1857 - um enxame estelar aberto de Mag. 7.0 .

















- NGC 2281 - um enxame estelar aberto de Mag. ( média ) 5.4 , mais interessante de se observar com telescópios modestos do que os dois anteriores.












Localizem-se as estrelas e objectos celestes da constelação no mapa:


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 Mapa com fundo branco

Se está a fazer observações do céu enquanto consulta esta página, desaconselha-se a visualização do mapa abaixo ( não clique na imagem ); a exposição a uma imagem tão clara fá-lo-á perder temporariamente a adaptação dos olhos à obscuridade, reduzindo a capacidade de distinguir pormenores mais finos. Esta adaptação, com o intuito de obter a melhor visão nocturna possível, é essencial nas observações astronómicas e demora cerca de 20-30 minutos a alcançar. A exposição à luz ( ou a um fundo branco ) reverte o processo de forma imediata, obrigando-o a esperar algum tempo para que os seus olhos se adaptem novamente à obscuridade.

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Existe um asterismo famoso nesta constelação:
- ε (Épsilon) + ζ (Zeta) + η (Eta) formam um desenho conhecido como ( os dois ) Cabritos. Por vezes aparece referido pela sua designação latina Haedi ( plural de " haedus ", que significa " criança ", no sentido de " descendente " ou " cria " ).
- A estrela Alfa desta constelação faz igualmente parte de um desenho conhecido como G Celeste, composto pelas estrelas: α (Alfa) Orionis + α (Alfa) Aurigae + α (Alfa) Geminorum + β (Beta) Geminorum + α (Alfa) Canis Minoris + α (Alfa) Canis Majoris + β (Beta) Orionis + α (Alfa) Tauri.



Estrelas mais notáveis:


Nesta constelação existe a particularidade de por norma não se referir qualquer estrela associada à letra Gama do alfabeto grego ( γ ), devido ao facto de esta ter sido oficialmente inserida pela I.A.U. em exclusivo na constelação do Touro. Para uma explicação mais detalhada consulte-se o texto sobre Elnath, a estrela Beta da constelação do Touro



- α (Alfa), tem o nome próprio Capella - este foi atribuído pelos Romanos e provém do latim " Capra " ( " Cabra " ) sendo " Capella " um diminutivo, significando por isso " a pequena cabra ". É uma das estrelas mais famosas do céu, não só por ser uma dupla física ( a proximidade entre as componentes é real ) -  extremamente difícil de se observar separada nas constituintes individuais com telescópios amadores - cuja magnitude combinada resulta numa das estrelas mais brilhantes do céu, como também por ser, de entre estas, a que se encontra mais próxima do Pólo Norte Celeste. Ganhou, por tudo isto, destaque para os astrónomos desde a antiguidade. Sabe-se hoje em dia que é, para além das particularidades atrás referidas, uma estrela ( mais concretamente, um sistema duplo ) relativamente próxima de nós, a 42 anos-luz de distância. Apresenta uma Magnitude ( global ) de 0.8 .
- β (Beta), tem o nome próprio Menkalinan, de uma expressão árabe que menciona " aquele que segura a rédea ". É uma estrela variável eclipsante de pequena amplitude, à volta de Mag. 2.0 . De referir como curiosidade que, devido a uma alinhamento fortuito, uma seta imaginária formada pelas estrelas Teta ( mais a Sul ) + Beta + Delta ( mais a Norte ) desta constelação serve como uma das referências mais seguras para localizar o Pólo Norte Celeste.
- δ (Delta), é uma gigante avermelhada de Mag. 3.7 .
- ε (Épsilon), tem o nome próprio Almaaz, do árabe, significando " o bode ". É uma supergigante esbranquiçada de Mag. 3.0 . Embora impossível de se distinguir com instrumentos ópticos, possui uma companheira que a eclipsa regularmente, fazendo-a baixar, em apenas 3 dias, para uma Mag. à volta de 3.8 . Para além disso, apresenta um ciclo muito particular, visto que o fenómeno apenas ocorre de 27 em 27 anos, durando 2 anos no início de cada ciclo. O último ciclo iniciou-se em Novembro de 2009.
- ζ (Zeta), é por vezes conhecida como Haedus I, expressão latina que designa a primeira da " crianças " ( no sentido de " descendentes " ), pois assinala um dos dois pequenos cabritos que o Cocheiro segura, junto com a cabra. É uma dupla física impossível de se resolver, com instrumentos ópticos, nas suas duas componentes individuais. Apresenta uma Mag. ( global ) de 3.7 .
- η (Eta), é por vezes conhecida como Haedus II - a segunda das " crianças " ou descendentes. Assinala o 2º cabrito que o Cocheiro segura numa das mãos. É uma anã azulada de Mag. 3.2 .
- θ (Teta), é por vezes referida pelo nome próprio, raramente usado, Mahasim, de uma expressão árabe que se refere ao " pulso " ( do Cocheiro ). Apesar de estar catalogada com a 8ª letra do alfabeto grego é, na verdade, a 3ª estrela mais brilhante da constelação, suplantando as 4 anteriores. É um sistema múltiplo, composto por uma dupla física e uma terceira componente, de brilho muito mais débil, cuja aparente proximidade se deve à perspectiva apenas, bastante difícil de ser separado nas suas constituintes individuais com telescópios amadores. Apresenta uma Mag. ( global ) de 2.6 .
- ι (Iota), é por vezes conhecida como Al Kab, proveniente do árabe " Al Kab dhi'l Inan ", significando "o ombro daquele que segura a rédea ". No entanto, esta designação referia-se à estrela Gama da constelação, hoje em dia habitualmente incluída em exclusivo na constelação vizinha Touro. De qualquer forma, o nome seria sempre confuso para a cultura ocidental visto que, na versão moderna da constelação, a estrela assinalaria, não o ombro do Cocheiro, mas um dos seus pés. É uma gigante amarela de Mag. 2.7 .




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